
2.º Congresso de Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas da Europa Central
e de Leste
Belgrado, 14, 15 e 16 de novembro, 2025
Conferências Plenárias

Ana Kuzmanović Jovanović
Universidade de Belgrado
Ensino de português na Sérvia e ex-Jugoslávia: história e perspectivas
Apresenta-se o desenvolvimento e as perspetivas do ensino da língua portuguesa na Sérvia e nos países da ex-Jugoslávia, tanto dentro como fora da União Europeia, nomeadamente: Croácia, Eslovénia, Macedónia do Norte, Bósnia e Herzegovina e Montenegro. Através de uma abordagem histórica, examina-se a evolução do ensino do português na região, destacando os principais fatores políticos, culturais e educacionais que influenciaram esse processo. São igualmente realçadas as atividades culturais relacionadas com a língua portuguesa, em particular aquelas promovidas pelas embaixadas dos países lusófonos na Sérvia, dado que essas iniciativas têm desempenhado um papel fundamental na divulgação da língua e das culturas dos países de língua portuguesa, contribuindo para o crescente
interesse pelo seu estudo na região. Abordam-se ainda as tendências contemporâneas, os desafios enfrentados pelos docentes e as oportunidades de expansão do ensino do português, sobretudo no contexto da cooperação internacional com os países dos BRICS. Por fim, propõe-se uma reflexão sobre o futuro da disciplina nesta parte da Europa, sublinhando o seu potencial estratégico e cultural.

Rui Torres
Universidade Fernando Pessoa
Poesia Combinatória e Pedagogia: Releituras Digitais da Tradição Literária Portuguesa
Esta conferência aborda o uso de ferramentas digitais interativas para reinterpretar a tradição literária portuguesa, explorando como a poesia combinatória pode fomentar a aprendizagem ativa e o diálogo intergeracional. A partir de uma abordagem experimental, serão discutidos os impactos da combinatória textual na formação literária, no pensamento crítico e nas práticas criativas em contexto escolar. Serão apresentados projetos que combinam literatura e tecnologia, incluindo: "Diálogos entre Camões e Dinamene" (2024), que gera múltiplas variações de um soneto de Camões; "ARR_GPT - António Ramos Rosa - Gesto Perpétuo Trémulo" (2024), que utiliza inteligência artificial para criar novas composições inspiradas na obra do poeta; e "Estou Vivo e Escrevo Sol" (2016), um motor textual e sonoro combinatório desenhado para ambientes imersivos. Argumentarei que estas experiências expandem as possibilidades de leitura e escrita, promovendo uma nova relação com o cânone literário ao associar tradição e inovação. Conclui-se que a literatura eletrónica estimula a competência literária e a literacia digital, renovando o interesse por obras clássicas e incentivando o pensamento crítico e criativo.

Isabel Margarida Duarte
Universidade do Porto
Como ensinar uma língua pluricêntrica? Reflexões a partir das formas de tratamento no romance O vento assobiando nas gruas, de Lídia Jorge
Partindo da constatação de que o português é uma língua pluricêntrica, o seu ensino deve ter esta realidade em conta, obviamente adaptada aos respetivos destinatários. O pluricentrismo do português não pode ser biface, ou seja, contemplar apenas as duas variedades bem consolidadas: o Português Europeu e o Português do Brasil. Angola é hoje o segundo país de Língua Portuguesa do Mundo. Também em Moçambique e em São Tomé há cada vez mais falantes de português, os mais jovens e urbanos tendo-o como língua materna. O romance de Lídia Jorge, que poderá ser estudado em contexto universitário em cursos de Português, sobretudo se incluírem literatura, vai servir-nos aqui como exemplo de um tópico – as Formas de Tratamento (FT) – geralmente de difícil aprendizagem por estrangeiros e até por falantes da variedade brasileira do português. Veremos, a título de exemplo, como o sistema das FT em Português Europeu se cruza com o enredo do romance e as linhas de força existentes entre personagens. Mas veremos também uma característica das FT nas variedades africanas, muito concretamente, no português de Cabo Verde.

Burghard Baltrusch
Cátedra Internacional José Saramago/Universidade de Vigo
José Saramago e a Revolução de Abril
Nesta palestra, abordar-se-á a relação entre o primeiro e, até à data, único Prémio Nobel da Literatura português e a Revolução dos Cravos, tanto numa perspectiva histórica e literária, como também do ponto de vista biográfico do autor. Serão destacadas, em particular, duas obras menos conhecidas, que oferecem novas leituras sobre a ligação de Saramago ao 25 de Abril: O Ano de 1993, um livro de poesia publicado em 1975, mas começado antes da Revolução, e Os Apontamentos, uma antologia de crónicas publicadas em 1976, escritas no período em que Saramago exerceu as funções de director-adjunto do jornal Diário de Notícias (11/03 - 25/11/1975).

Liliana Inverno
CELGA-ILTEC/Universidade de Coimbra
Nos 50 anos da independência de Angola, qual o estado do conhecimento sobre a realidade (socio)linguística do país?
A comunicação apresenta uma revisão crítica do estado da arte sobre a descrição da ecologia linguística de Angola, articulando uma reflexão teórica sobre o conceito de ecologia linguística com uma análise empírica das principais linhas de investigação desenvolvidas no país. Parte-se da conceção de ecologia linguística como um quadro analítico que procura compreender as inter-relações entre línguas, falantes e contextos socioculturais, destacando as dinâmicas de contacto, competição e complementaridade entre códigos. Com base em literatura produzida desde o período pós-independência até à atualidade, o artigo examina como têm sido descritos os papéis e as funções do português angolano, das línguas bantu e das práticas multilingues urbanas e rurais. A revisão evidencia uma concentração de estudos no português como língua de unificação e ascensão social, ao passo que as línguas nacionais continuam a ser pouco descritas e frequentemente tratadas de forma residual. Identificam-se ainda limitações metodológicas relacionadas com a escassez de dados de base, a ausência de corpora sistemáticos e a insuficiência de abordagens integradas que contemplem fatores históricos, ideológicos e identitários. Propõe-se, em conclusão, uma agenda de investigação orientada para uma descrição mais abrangente da ecologia linguística angolana, que reconheça a complexidade dos repertórios locais e o papel das ideologias linguísticas na configuração do espaço comunicativo nacional.
Comissão Organizadora
Nuno Miguel Neves (Coordenador)
Camões, I.P./Universidade de Belgrado
Ana Kuzmanović Jovanović
Universidade de Belgrado
Anđelka Pejović
Universidade de Belgrado
Comissão Científica
Ana Kuzmanović Jovanović
Universidade de Belgrado
Ana Pita Grós
Universidade Agostinho Neto
Ana Rita Sousa
Camões, I.P./Universidade de Bucareste
Burghard Baltrusch
Cátedra Internacional José Saramago/Universidade de Vigo
Clara Keating
Universidade de Coimbra
Frederico Fernandes
Universidade Estadual de Londrina
Isabel Margarida Duarte
Universidade do Porto
João Veloso
Universidade de Macau
Joaquim Coelho Ramos
Instituto Camões, I.P. / CLUP
José Manuel Esteves
Cátedra Lindley Cintra, Camões I.P./Université Paris Nanterre -CRILUS
Liliana Inverno
CELGA-ILTEC, Universidade de Coimbra
Lúcia Maria de Assunção Barbosa
Universidade de Brasília
Marie Claire De Mattia
Universidade de Coimbra
Nuno Miguel Neves
Camões, I.P./Universidade de Belgrado
Rui Torres
Universidade Fernando Pessoa
Sandra Guerreiro Dias
Instituto Politécnico de Beja
Yana Andreeva
Universidade de Sófia Sveti Kliment Ohridski
Contatos
Camões, Centro de Língua Portuguesa
Univerzitet u Beogradu
Filoloski fakultet
Katedra za iberijske studije
Studentski Trg 3
11 000 Beograd
Srbija
+351 961507427 (Whatsapp)